Trabalhe Conosco

Consultoria Preventiva

Uma empresa precisa guardar conversas de WhatsApp com clientes?

Respondido por André Bordini Advogados Associados 3 min de leitura Atualizado em 12/09/2026
Resposta direta

Não existe uma lei que obrigue a guardar toda conversa de WhatsApp, mas as mensagens em que o cliente aprova orçamento, muda o escopo, reclama, cobra ou é cobrado são provas admitidas em juízo, e quem não as preserva perde a chance de usá-las. A resposta prática é sim para conversas com efeito contratual, dentro de uma política de guarda que respeite a LGPD e não dependa do celular pessoal de um funcionário.

O que a lei aceita como prova

O processo civil admite todos os meios legais e moralmente legítimos de prova, inclusive documentos eletrônicos produzidos e conservados conforme a legislação. O Código Civil vai além: reproduções eletrônicas de fatos fazem prova plena se a parte contrária não impugnar a exatidão. Uma captura de tela de WhatsApp entra nessa categoria, e a impugnação típica é justamente a de que o conteúdo foi editado ou tirado de contexto.

Por isso a força da prova cresce com a integridade: exportação completa da conversa, com data e número, registro de quem era o interlocutor e, nos casos relevantes, ata notarial ou perícia.

Por quanto tempo guardar

O prazo de guarda se orienta pelos prazos de prescrição. A cobrança de dívida líquida documentada prescreve em cinco anos; a reparação de danos causados a consumidor por defeito do produto ou serviço, também em cinco anos; a regra geral das pretensões pessoais é de dez anos. Uma política razoável conserva a conversa enquanto a relação estiver viva e pelo tempo em que ela ainda possa ser discutida em juízo, e depois elimina.

LGPD: guardar não é tratar sem regra

Mensagens de cliente contêm dados pessoais, e a guarda é uma operação de tratamento. A LGPD autoriza conservar dados para cumprir obrigação legal e para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral, o que cobre a guarda de prova. O que ela exige em troca é finalidade definida, acesso restrito, segurança e eliminação ao fim do prazo. Conversa espalhada em aparelhos pessoais, sem controle de quem acessa, é o oposto disso.

Política mínima de arquivamento

Uma política curta, escrita e conhecida pela equipe de atendimento costuma cobrir o essencial:

  • Atendimento por número corporativo, com conta da empresa e não do funcionário
  • Exportação periódica das conversas com efeito contratual para repositório controlado
  • Registro de quem é o interlocutor e de qual contrato ou pedido a conversa trata
  • Regra de acesso, com registro de quem consultou e para quê
  • Prazo de retenção por tipo de conversa e rotina de eliminação
  • Aviso de privacidade informando ao cliente que a conversa é registrada
Atenção. O erro mais caro é deixar a conversa decisiva no telefone de quem foi desligado. Quando a disputa chega, o aparelho já foi trocado, e a empresa fica sem a prova que ela mesma produziu.
Base legalo texto oficial de cada norma
  • art. 369Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015)Todos os meios legais e moralmente legítimos são admitidos para provar a verdade dos fatos. texto oficial
  • art. 441Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015)Documentos eletrônicos produzidos e conservados conforme a legislação específica são admitidos como prova. texto oficial
  • art. 225Código Civil (Lei 10.406/2002)Reproduções eletrônicas de fatos fazem prova plena se a parte contrária não impugnar a exatidão. texto oficial
  • art. 7º, VILGPD (Lei 13.709/2018)Dados podem ser tratados para o exercício regular de direitos em processo judicial, administrativo ou arbitral. texto oficial
  • art. 16, ILGPD (Lei 13.709/2018)Encerrado o tratamento, os dados podem ser conservados para cumprir obrigação legal ou regulatória. texto oficial
Essa dúvida é sobre o seu caso? Contratos, prazos, documentos e circunstâncias específicas podem mudar a conclusão. Fale com um advogado do escritório.
Falar sobre o meu caso
Os sócios do André Bordini Advogados Associados no escritório em Maringá/PR
Esta resposta foi escrita por advogados que atuam nessa área todos os dias

O André Bordini Advogados Associados atua em Maringá/PR e atende clientes de outras cidades e estados, em Direito Imobiliário, Direito Empresarial e Societário, Direito Tributário, Direito Cível e Contratos, Família e Sucessões, Direito do Trabalho e Consultoria Preventiva.

Sociedade inscrita na OAB/PR 4314 Maringá, Paraná Conhecer o corpo jurídico