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Direito Empresarial e Societário

O que é due diligence empresarial?

Respondido por André Bordini Advogados Associados 3 min de leitura Atualizado em 12/09/2026
Resposta direta

É a auditoria jurídica, contábil e operacional feita antes de comprar, investir, fundir ou se associar a uma empresa. O objetivo é descobrir passivos e riscos que não aparecem no balanço: processos, autuações, contratos que vencem com a mudança de controle, irregularidades trabalhistas, ambientais, de dados pessoais ou de propriedade intelectual. O resultado alimenta o preço, as garantias do contrato e a decisão de seguir ou não. Sem ela, o comprador assume o passado da empresa às cegas.

O que se examina

O escopo se ajusta ao negócio e ao valor envolvido, mas as frentes abaixo aparecem em quase toda operação. Cada uma tem documentos próprios e um risco típico: na trabalhista, a terceirização irregular e o prestador pessoa jurídica que é empregado; na tributária, o planejamento agressivo e o parcelamento em atraso; na contratual, a cláusula que permite ao cliente rescindir se o controle mudar.

  • Societário: contrato social, atas, livros, integralização, ônus sobre quotas
  • Contratos: clientes, fornecedores, exclusividade, multas, mudança de controle
  • Trabalhista e previdenciário: folha, terceirizados, ações, normas de segurança
  • Tributário: certidões, autos de infração, parcelamentos, créditos
  • Imóveis, meio ambiente e licenças de operação
  • Propriedade intelectual, dados pessoais e integridade

Como se conduz

Começa com uma lista de documentos, respondida em ambiente virtual controlado, e segue com entrevistas com gestores e contador, porque muito passivo não está em papel nenhum. A equipe é mista: advogados por área, contadores e, quando há planta ou imóvel, engenheiros. As contingências são classificadas como prováveis, possíveis ou remotas, no critério contábil, e quantificadas.

O produto é um relatório de pontos críticos com recomendação para cada um: desistir, ajustar o preço, exigir regularização antes do fechamento, ou cobrir por garantia e retenção. Certidões e informações são atualizadas até a data do fechamento, porque o intervalo entre a auditoria e a assinatura costuma ser de meses.

Efeitos jurídicos do que se descobre

O que o comprador conheceu e aceitou não pode depois ser alegado como erro (arts. 138 e 139 do Código Civil); o que o vendedor escondeu de propósito continua sendo dolo (art. 147), mesmo com auditoria. Por isso as declarações e garantias vêm acompanhadas de um anexo em que o vendedor lista as exceções conhecidas.

Certas sucessões não se afastam por contrato perante terceiros, só se redistribuem entre as partes: tributos do fundo de comércio adquirido (art. 133 do CTN), contratos de trabalho (art. 448 da CLT) e, em fusão ou incorporação, multa e reparação por atos de corrupção da sucedida, até o limite do patrimônio transferido (art. 4º, §1º, da Lei 12.846/2013).

Erros que esvaziam a auditoria

Examinar só documentos, sem conversar com quem opera; aceitar prazo curto por pressão de fechamento; tratar proteção de dados e meio ambiente como itens secundários; não confirmar contratos verbais e práticas informais; e, o mais frequente, produzir um relatório extenso que não se converte em nenhuma cláusula do contrato definitivo.

Atenção. Due diligence não é ritual para justificar um preço já combinado: achado que não vira condição, ajuste, garantia ou retenção foi desperdiçado, e o comprador que conhecia o risco perde o direito de reclamar dele depois.
Base legalo texto oficial de cada norma
  • art. 147Código Civil (Lei 10.406/2002)Omissão dolosa de fato relevante por uma das partes vicia o negócio. texto oficial
  • art. 422Código Civil (Lei 10.406/2002)Contratantes devem guardar probidade e boa-fé na conclusão e na execução do contrato. texto oficial
  • art. 133Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966)Quem adquire fundo de comércio ou estabelecimento responde pelos tributos a ele relativos. texto oficial
  • art. 448CLT (Decreto-Lei 5.452/1943)A sucessão de empregadores não afeta os contratos de trabalho em curso. texto oficial
  • art. 4º, §1ºLei Anticorrupção (Lei 12.846/2013)Na fusão e incorporação, a sucessora responde por multa e reparação até o limite do patrimônio transferido. texto oficial
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Os sócios do André Bordini Advogados Associados no escritório em Maringá/PR
Esta resposta foi escrita por advogados que atuam nessa área todos os dias

O André Bordini Advogados Associados atua em Maringá/PR e atende clientes de outras cidades e estados, em Direito Imobiliário, Direito Empresarial e Societário, Direito Tributário, Direito Cível e Contratos, Família e Sucessões, Direito do Trabalho e Consultoria Preventiva.

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