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Direito Imobiliário

O que é adjudicação compulsória de imóvel?

Respondido por André Bordini Advogados Associados 3 min de leitura Atualizado em 12/09/2026
Resposta direta

É o meio de obter a propriedade do imóvel quando você tem promessa de compra e venda quitada e o vendedor se recusa, desapareceu ou não pode mais assinar a escritura. No lugar dela, o título levado ao registro é a sentença ou, desde a Lei 14.382/2022, a decisão do próprio oficial do Registro de Imóveis no procedimento extrajudicial do art. 216-B da Lei 6.015/1973. Exige contrato sem cláusula de arrependimento, preço pago e vendedor que ainda figure como dono na matrícula.

Fundamento e requisitos

Os arts. 1.417 e 1.418 do Código Civil dão ao promitente comprador, com promessa sem arrependimento, o direito de exigir a escritura definitiva e, diante da recusa, de pedir ao juiz a adjudicação do imóvel. Os arts. 463 e 464 completam a lógica: em contrato preliminar, o juiz pode suprir a vontade da parte que não cumpre. A Súmula 239 do STJ afasta a exigência de que o compromisso esteja registrado para esse pedido.

Na prática, três coisas precisam estar provadas: o contrato, público ou particular, com a identificação do imóvel e do preço; a quitação, por recibos, comprovantes bancários ou declaração do vendedor, ou o depósito do saldo restante; e o descumprimento da obrigação de outorgar, normalmente por notificação sem resposta. Cessão de direitos e sucessão do comprador falecido entram na mesma via.

O rito no cartório

O art. 216-B, inserido na Lei de Registros Públicos pela Lei 14.382/2022, permite fazer tudo no Registro de Imóveis da situação do bem, com advogado. O oficial notifica o vendedor para outorgar a escritura em quinze dias; o silêncio caracteriza o inadimplemento. Juntam-se ata notarial com a prova do pagamento e da recusa, certidões dos distribuidores da comarca do imóvel e do domicílio do requerente mostrando que não há litígio sobre o contrato, o comprovante do ITBI e procuração com poderes específicos.

Se o vendedor apresenta oposição fundamentada, o oficial não conclui o procedimento e o comprador segue para a via judicial, que continua aberta em qualquer caso. Os detalhes do rito estão no Código Nacional de Normas do CNJ. O ITBI é devido como em qualquer transmissão, com alíquota fixada por cada município.

Quando a adjudicação não resolve

O limite mais comum é a cadeia: se quem lhe vendeu também não tinha registrado a compra dele, a adjudicação contra ele não basta, porque o dono na matrícula é outra pessoa. É preciso provar cada elo com instrumento próprio ou, quando isso é impossível, partir para a usucapião. Vendedor falecido não impede o pedido, que passa a ser dirigido ao espólio ou aos herdeiros.

Também não funciona quando o preço não foi integralmente pago e o comprador não deposita o saldo, quando o contrato tem cláusula de arrependimento válida ou quando o próprio comprador está em mora. E a adjudicação não limpa a matrícula: penhora, hipoteca e indisponibilidade lançadas antes continuam lá e precisam ser tratadas à parte.

Atenção. O erro frequente é entrar com o pedido sem a prova completa da quitação, apoiando-se na palavra de que estava tudo pago. Recibos sem data, transferências para terceiros e pagamentos em dinheiro sem comprovante são o que mais trava a adjudicação, judicial ou extrajudicial.
Base legalo texto oficial de cada norma
  • arts. 1.417 e 1.418Código Civil (Lei 10.406/2002)o promitente comprador pode exigir a escritura e, recusada, pedir a adjudicação do imóvel texto oficial
  • arts. 463 e 464Código Civil (Lei 10.406/2002)no contrato preliminar, o juiz pode suprir a vontade da parte inadimplente texto oficial
  • art. 216-BLei de Registros Públicos (Lei 6.015/1973)rito, documentos e notificação da adjudicação compulsória feita no Registro de Imóveis texto oficial
  • alterações na Lei 6.015/1973Lei 14.382/2022 (registros públicos eletrônicos)criou a adjudicação compulsória extrajudicial ao inserir o art. 216-B texto oficial
  • enunciadoSúmula 239 do STJo pedido de adjudicação não depende de o compromisso ter sido registrado na matrícula
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Esta resposta foi escrita por advogados que atuam nessa área todos os dias

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