Protege o que ele pode alcançar: a divisão dos bens entre os cônjuges em caso de divórcio. Feito por escritura pública antes do casamento e registrado no cartório de imóveis, o pacto define o regime, pode separar por completo os patrimônios e evita a discussão de partilha. Ele não protege contra credores por dívidas comuns, não afasta o dever de alimentos, não muda a guarda dos filhos e, na herança, tem alcance limitado: o cônjuge continua herdeiro necessário na maior parte das situações.
O que o pacto faz
Antes de casar, os noivos podem estipular o que quiserem quanto aos bens, dentro dos limites da lei. Na prática, o pacto serve para escolher um regime diferente da comunhão parcial, como a separação total ou a participação final nos aquestos, e para detalhar regras: quais bens são particulares, como se tratam rendimentos, quem administra o quê, o destino de bens específicos. Sem pacto, vale a comunhão parcial, e o pacto é inútil para quem a quer.
A separação convencional é a escolha mais comum de quem tem empresa, patrimônio anterior relevante ou filhos de outra união. Com ela, cada cônjuge conserva a propriedade e a administração do que era seu e do que adquirir, não há meação, e a saída do casamento não exige partilha, o que elimina a fase mais longa e conflituosa do divórcio.
Forma e registro: onde muitos falham
A escritura é requisito de validade: pacto por instrumento particular é nulo. O casamento que não acontece torna o pacto ineficaz. E, sem o registro no cartório de imóveis, o pacto vale entre os cônjuges mas não produz efeito perante terceiros, o que significa que um credor pode tratar os bens como se o regime fosse o legal. O registro é a etapa mais esquecida e a mais simples de corrigir.
- Escritura pública em tabelionato de notas, antes do casamento
- Menção ao pacto na habilitação e na certidão de casamento
- Registro no cartório de imóveis do primeiro domicílio do casal
- Averbação na matrícula de cada imóvel de cada cônjuge, inclusive os adquiridos depois
- Se um deles é empresário, arquivamento na junta comercial
O que o pacto não faz
O pacto não pode contrariar disposição absoluta de lei. Não exclui o dever de alimentos entre cônjuges, não define guarda ou convivência de filhos e não afasta a responsabilidade por dívidas contraídas para a família, mesmo na separação total. Também não serve para blindar patrimônio de dívidas já existentes: credores prejudicados podem alegar fraude.
Na herança, o alcance é limitado. O cônjuge é herdeiro necessário, e a orientação predominante no STJ é que, na separação convencional, ele concorre com os descendentes na herança dos bens particulares. Cláusulas que renunciem à herança do outro esbarram na proibição de contratar sobre herança de pessoa viva; se e em que medida o pacto pode afastar essa concorrência sucessória é tema em discussão nos tribunais, e não se deve contar com isso.
Regime obrigatório e maiores de setenta
Quem casa com causa suspensiva, como o divorciado sem partilha, e quem tem mais de setenta anos ficam sob separação obrigatória por força de lei, e o pacto não pode escolher outro regime. Para os maiores de setenta, o STF firmou em 2024 que a separação obrigatória pode ser afastada por manifestação expressa em escritura pública, o que devolve ao pacto uma função nesses casamentos. Na separação obrigatória sem afastamento, a Súmula 377 do STF ainda permite discutir a comunicação dos bens adquiridos com esforço comum.
- art. 1.639Código Civil (Lei 10.406/2002)os noivos podem estipular, antes do casamento, o que quiserem quanto aos bens texto oficial
- art. 1.653Código Civil (Lei 10.406/2002)o pacto é nulo sem escritura pública e ineficaz se o casamento não se realizar texto oficial
- art. 1.655Código Civil (Lei 10.406/2002)é nula a cláusula do pacto que contrarie disposição absoluta de lei texto oficial
- art. 1.657Código Civil (Lei 10.406/2002)o pacto só vale perante terceiros depois de registrado no cartório de imóveis do domicílio dos cônjuges texto oficial
- art. 1.641Código Civil (Lei 10.406/2002)hipóteses em que a separação de bens é obrigatória por lei texto oficial















